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Dar de beber à dor

No Inverno de 2006 trabalhava no projecto SAP de um enorme retalhista internacional, com centenas de supermercados espalhados por todo um país. Uma bela manhã, pelas 11h45 comecei a ver várias pessoas com ar alarmado a correr de um lado para o outro no escritório. Perguntei o que se passava e se podia ajudar e explicaram-me que não conseguiam fazer a encomenda de leite para o dia seguinte que tinha de ser feita até às 12h15 mas que não tinha nada a ver comigo, que eu não podia ajudar.

Voltei ao meu trabalho mas fiquei a matutar naquilo. Investiguei e compreendi que o problema era realmente causado por uma pequena alteração que eu tinha feito num user-exit de MM no dia anterior. Corrigi-o imediatamente e fui (também a correr) avisar os meus colegas que ficaram surpresos mas felizes. Conseguiu-se fazer a encomenda antes das 12h15 mas com a pressa, por alguma razão, encomendou-se o dobro dos litros.

No dia seguinte todos os supermercados do país tiveram o dobro do leite do dia. Montes e montes de pacotes de leite para vender. Fez-se uma promoção e lá se vendeu o leite. Vá lá que a coisa passou sem ninguém se zangar.

Esta foi a asneira mais épica que fiz em SAP até hoje: contribuir para a recalcificação de todo um povo.

O Abapinho saúda-vos.

2 comentários a “Dar de beber à dor”

  1. Costa Diz:

    Estava eu feliz e contente por estar integrado num projecto “à seria”, num importante grupo português, com responsabilidade na implementação dos módulos financeiros de SAP. Maçarico mas confiante…

    Explorando os “ledgers” especiais de SAP, troquei os pés pelas mãos e consegui apagar um legder, na sua totalidade. Podem imaginar o stress, quando descobri que não havia forma de recuperar esses dados. Por sorte, encontrou-se um transporte antigo com os dados necessários.

    Nuno, a tua história é muito melhor, e um bom exemplo da necessidade de testes, mesmo nas coisas de aparência inofensiva.

  2. nununo Diz:

    Pois. Quando se trabalha sobre dados produtivos, por mais cuidado que se tenha, é sempre possível fazer asneira. A sorte é que a maior parte das asneiras são pequeninas e facilmente corrigidas. Há, claro, a famosa história de como a Jerónimo Martins há uns anos perdeu milhões quando na Polónia alguém apagou irremediavelmente a tabela MVKE ou outra do género. Isso sim, deve ter doído!

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