Entrevista a Mauricio Roberto Cruz do ABAPZombie

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Depois de o site irmão ABAPZombie (grande site brasileiro sobre ABAP) me ter entrevistado há uns meses atrás, aqui fica finalmente a minha vingança Zômbica. Entrevistar o Mauricio foi muito simples porque as perguntas que me fizeram são tão boas que resolvi virá-las contra o feiticeiro (Mauricio, espero que não leves a mal ter-tas usurpado!). As suas óptimas respostas ajudarão certamente os leitores portugueses a terem uma ideia de como funciona o mercado ABAP lá no Brasil:

Vai pelos teus dedos

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Tenho uma série de amigos gestores, advogados, marketeers, programadores, etc. que trabalham em empresas muito dinâmicas e competitivas, que dizem ser muito ocupados e que têm sempre imenso trabalho. Dedicaram vários anos da sua vida a um curso superior para se especializarem numa determinada área e alguns deles já fizeram o esforço adicional de tirar pós-graduações para terem mais qualificações e conseguirem fazer mais coisas melhor e mais depressa. Mas a maior parte deles usa 2 dedos para teclar no computador. Acumularam durante anos imensas capacidades que é suposto torná-los ultra-eficientes, e depois usam 2 dedos para as teclar.

RICEF não é arroz transgénico nem faz parte da ONU

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O RICEF é um acrónimo do mundo SAP que aparentemente não foi inventado pela SAP. É, por isso, um acrónimo não oficial. O que não faz dele um acrónimo ilegal ou clandestino visto que tem vindo a tornar-se um termo de uso corrente em cada vez mais projectos.

RICEF significa Report , Interface , Conversion , Enhancement , Form e, basicamente, refere-se a qualquer tipo de desenvolvimento que seja necessário num projecto SAP.

Um mal que veio por bem

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Era uma vez um cliente com um sistema produtivo com 9 servidores mais rápidos que a própria sombra. Esses 9 servidores eram geridos por 4 administradores de sistema muito bons que os mantinham sempre oleados e a fluírem à velocidade máxima. Um dia tive de desenvolver um carregamento muito complexo que criava milhões de classificações. Quando se começou a testar o programa, constatou-se que algo estava muito lento, lento demais. Na maior parte do tempo o programa estava encalhado à espera de SELECTs sequenciais à tabela INOB, que era gigante. Como o meu programa não usava a INOB estranhámos. Depois de alguma investigação descobriu-se um SELECT desnecessário e ainda por cima mal feito (sem usar nem a chave primária nem um índice) que alguém deixou num user-exit amplamente utilizado. Comentou-se o SELECT e de repente o meu programa ficou centenas de vezes mais rápido. Eu fiquei feliz mas quem ficou mesmo a ganhar foram os administradores de sistema que tiveram um inesperado upgrade grátis a todas as 9 máquinas!

Dar de beber à dor

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No Inverno de 2006 trabalhava no projecto SAP de um enorme retalhista internacional, com centenas de supermercados espalhados por todo um país. Uma bela manhã, pelas 11h45 comecei a ver várias pessoas com ar alarmado a correr de um lado para o outro no escritório. Perguntei o que se passava e se podia ajudar e explicaram-me que não conseguiam fazer a encomenda de leite para o dia seguinte que tinha de ser feita até às 12h15 mas que não tinha nada a ver comigo, que eu não podia ajudar.

Was ist ABAP?

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Mas afinal o que é que quer dizer ABAP?

  • Em 1970 chamaram-lhe ABAP que queria dizer “Allgemeiner Berichts-Aufbereitungs-Prozessor”, ou em português “Processador de geração de reports genéricos”.

  • Em 1990 mudaram-lhe o nome para ABAP/4 e disseram que afinal queria dizer “Advanced Business Application Programming”, ou em português “Programação avançada para aplicações de negócio”.

  • Em 2000 largam o /4 e tornaram a chamar-lhe só ABAP e é o que ainda lhe chamam agora.

Dá e receberás

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Vivia-se o ano do Senhor de 1998. No século XX portanto, quando ainda se trabalhava de gravata. Estava eu com 1 mês de experiência em SAP e pela primeira vez sozinho num cliente, de gravata ao pescoço, num armazém gigante, a fazer formulários de WM e coisas do género ao serviço de um funcional de WM. Certo dia fui directamente abordado por um senhor condutor de um empilhador que me disse que o código identificador na etiqueta das paletes tinha letras muito pequeninas e ele tinha muita dificuldade em lê-lo. O senhor empilhador perguntou-me se eu lhe podia aumentar o tamanho das letras. Situação relativamente irregular visto que tudo o que eu fazia deveria ser pedido pelo tal consultor funcional.