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Provérbio ABAP

Não deixes para amanhã o que podes fazer SY-DATUM.

É o meu aniversário!

Tenho 6 anos!

(Obrigado Caleb Prichard pela foto)

O ABAP suga

Ora bem, este é o primeiro artigo do Abapinho em que o título se sente um bocado perdido na tradução. Mas mesmo tendo consciência de que não é semanticamente são, penso ser o único título à altura do que aqui vos apresento.

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Bom rato

Boa parte dos meus amigos quando compra um computador novo preocupa-se imenso com a velocidade do CPU e a velocidade do disco e a velocidade da memória e a velocidade do raio que os parta. E depois compra um rato de 1200$00 e um teclado de 1400$00. Ironia. Enquanto o CPU e o disco e a memória e o tal raio que os parta acabam quase sempre por ser bastante desperdiçados, o rato e o teclado são usados por inteiro durante a totalidade do tempo de utilização do computador. Quantas vezes não pego num rato alheio que para que ele se chegue a um ícone quase tenho de lhe atravessar umas chapadas, só porque o rato é de má qualidade ou porque o seu dono nunca se deu ao trabalho de usar um tapete apropriado. Não faz sentido. Para quem, como eu, faz do computador a sua ferramenta principal de trabalho, a forma como se interage com ele deve ter o menor atrito possível, deve facilitar e não dificultar.

O meu rato é um Razer Copperhead e custou um balúrdio. Mais de 60EUR. E vejam só que até tem fio* e tudo. E é grande**! Deu-me um trabalhão a escolher. Ainda para mais porque sou canhoto e, por isso, na perspectiva da minha mão esquerda, a maior parte dos ratos são uma massa de plástico disforme e inútil. O que faz deste rato tão especial é o simples facto de conseguir executar na perfeição aquilo para que os ratos servem: empurrar a setinha pelo ecrã a fora. Diz que é especial para gamers. Não sei, não sou um gamer. Mas no que toca a ratos sou tão exigente quanto eles.

Como escolher? No caso do teclado dou importância a dois factores: conforto e robustez. No caso dos ratos: além do óbvio conforto, fugir a sete pés de ratos com bola (se é que ainda existem), escolher os de luz, dando preferência aos laser. Uma especificação importante é a quantidade de DPI (dots per inch), ou seja, a sua resolução ou sensibilidade.

* É curioso notar como a maioria das pessoas não hesita em esbanjar 50EUR ou mais num rato sem fio que na maior parte das vezes não funciona bem. Eu incluo-me nessa maioria porque também comprei um, mas aposentei-o porque me desapontou.

** Também conheço vários utilizadores de portáteis que adoptaram ratinhos raquíticos próprios para portátil com a desculpa de que são mais leves do que os outros para transportar na mala. Sejamos razoáveis: a diferença de peso é apenas de uns gramas; já a diferença de ergonomia… é enorme. Além disso esses ratos de brincar nunca são grande coisa.

E pronto, meus amigos, está o conselho dado.

Nota: este artigo foi publicado há uns anos no meu blog pessoal, mas como ainda me parece pertinente, republico-o aqui.

O Abapinho saúda-vos.

Entrevista a Mauricio Roberto Cruz do ABAPZombie

Depois de o site irmão ABAPZombie (grande site brasileiro sobre ABAP) me ter entrevistado há uns meses atrás, aqui fica finalmente a minha vingança Zômbica. Entrevistar o Mauricio foi muito simples porque as perguntas que me fizeram são tão boas que resolvi virá-las contra o feiticeiro (Mauricio, espero que não leves a mal ter-tas usurpado!). As suas óptimas respostas ajudarão certamente os leitores portugueses a terem uma ideia de como funciona o mercado ABAP lá no Brasil:

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Vai pelos teus dedos

Tenho uma série de amigos gestores, advogados, marketeers, programadores, etc. que trabalham em empresas muito dinâmicas e competitivas, que dizem ser muito ocupados e que têm sempre imenso trabalho. Dedicaram vários anos da sua vida a um curso superior para se especializarem numa determinada área e alguns deles já fizeram o esforço adicional de tirar pós-graduações para terem mais qualificações e conseguirem fazer mais coisas melhor e mais depressa. Mas a maior parte deles usa 2 dedos para teclar no computador. Acumularam durante anos imensas capacidades que é suposto torná-los ultra-eficientes, e depois usam 2 dedos para as teclar.

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RICEF não é arroz transgénico nem faz parte da ONU

O RICEF é um acrónimo do mundo SAP que aparentemente não foi inventado pela SAP. É, por isso, um acrónimo não oficial. O que não faz dele um acrónimo ilegal ou clandestino visto que tem vindo a tornar-se um termo de uso corrente em cada vez mais projectos.

RICEF significa Report, Interface, Conversion, Enhancement, Form e, basicamente, refere-se a qualquer tipo de desenvolvimento que seja necessário num projecto SAP.

  • Report refere-se a reports, ALVs, transacções, e todo o género de coisas interactivas.
  • Interface servem para transportar dados entre o SAP e outros sistemas. Refere-se portanto a IDOCs, ALE, EDI, RFC, coisas de PI, etc.
  • Conversion trata de conversão de dados, ou seja, carregamentos de dados através de BDC, DI, LSMW, etc.
  • Enhancement refere-se a todo o tipo de user-exits, BADIs e seus primos;
  • Form são, claro, os famigerado Layouts e os mais recentes Smart Form, Adobe Forms e integrações com MS Office.

E com 5 letrinhas apenas se descreve todo o tipo de desenvolvimentos possíveis em SAP.

A sua utilização prende-se com a necessidade de identificar univocamente os diferentes desenvolvimentos num projecto. Atente-se como exemplo neste breve diálogo entre um consultor funcional de cor verde e um consultor ABAP de cor roxa:

Verde – É preciso fazer um RICEF novo em FI.
Roxo – Outro? Porquê outro? Não chegam já?
Verde – Não. São sempre precisos mais.
Roxo – E como se chama este novo RICEF?
Verde – F451.
Roxo – Merda, mais um formulário.

O Abapinho saúda-vos.

Um mal que veio por bem

Era uma vez um cliente com um sistema produtivo com 9 servidores mais rápidos que a própria sombra. Esses 9 servidores eram geridos por 4 administradores de sistema muito bons que os mantinham sempre oleados e a fluírem à velocidade máxima. Um dia tive de desenvolver um carregamento muito complexo que criava milhões de classificações. Quando se começou a testar o programa, constatou-se que algo estava muito lento, lento demais. Na maior parte do tempo o programa estava encalhado à espera de SELECTs sequenciais à tabela INOB, que era gigante. Como o meu programa não usava a INOB estranhámos. Depois de alguma investigação descobriu-se um SELECT desnecessário e ainda por cima mal feito (sem usar nem a chave primária nem um índice) que alguém deixou num user-exit amplamente utilizado. Comentou-se o SELECT e de repente o meu programa ficou centenas de vezes mais rápido. Eu fiquei feliz mas quem ficou mesmo a ganhar foram os administradores de sistema que tiveram um inesperado upgrade grátis a todas as 9 máquinas!

O Abapinho saúda-vos.

Dar de beber à dor

No Inverno de 2006 trabalhava no projecto SAP de um enorme retalhista internacional, com centenas de supermercados espalhados por todo um país. Uma bela manhã, pelas 11h45 comecei a ver várias pessoas com ar alarmado a correr de um lado para o outro no escritório. Perguntei o que se passava e se podia ajudar e explicaram-me que não conseguiam fazer a encomenda de leite para o dia seguinte que tinha de ser feita até às 12h15 mas que não tinha nada a ver comigo, que eu não podia ajudar.

Voltei ao meu trabalho mas fiquei a matutar naquilo. Investiguei e compreendi que o problema era realmente causado por uma pequena alteração que eu tinha feito num user-exit de MM no dia anterior. Corrigi-o imediatamente e fui (também a correr) avisar os meus colegas que ficaram surpresos mas felizes. Conseguiu-se fazer a encomenda antes das 12h15 mas com a pressa, por alguma razão, encomendou-se o dobro dos litros.

No dia seguinte todos os supermercados do país tiveram o dobro do leite do dia. Montes e montes de pacotes de leite para vender. Fez-se uma promoção e lá se vendeu o leite. Vá lá que a coisa passou sem ninguém se zangar.

Esta foi a asneira mais épica que fiz em SAP até hoje: contribuir para a recalcificação de todo um povo.

O Abapinho saúda-vos.

Was ist ABAP?

Mas afinal o que é que quer dizer ABAP?

  • Em 1970 chamaram-lhe ABAP que queria dizer “Allgemeiner Berichts-Aufbereitungs-Prozessor”, ou em português “Processador de geração de reports genéricos”.
  • Em 1990 mudaram-lhe o nome para ABAP/4 e disseram que afinal queria dizer “Advanced Business Application Programming”, ou em português “Programação avançada para aplicações de negócio”.
  • Em 2000 largam o /4 e tornaram a chamar-lhe só ABAP e é o que ainda lhe chamam agora.
  • Estamos em 2010. Já era altura de lhe inventarem um novo significado.

O Abapinho saúda-vos.

Dá e receberás

Vivia-se o ano do Senhor de 1998. No século XX portanto, quando ainda se trabalhava de gravata. Estava eu com 1 mês de experiência em SAP e pela primeira vez sozinho num cliente, de gravata ao pescoço, num armazém gigante, a fazer formulários de WM e coisas do género ao serviço de um funcional de WM. Certo dia fui directamente abordado por um senhor condutor de um empilhador que me disse que o código identificador na etiqueta das paletes tinha letras muito pequeninas e ele tinha muita dificuldade em lê-lo. O senhor empilhador perguntou-me se eu lhe podia aumentar o tamanho das letras. Situação relativamente irregular visto que tudo o que eu fazia deveria ser pedido pelo tal consultor funcional.

Parecia uma coisa simples e então tomei a iniciativa de tentar ajudá-lo. Afinal acabei por demorar 2 dias porque era uma impressora matricial antiga e tive de obter o seu manual de instruções, descobrir e configurar as sequências de escape no SAP. Mas no fim desses 2 dias, para enorme felicidade do senhor condutor do empilhador, o código começou a aparecer com letras garrafais. Ele, que passava todos os dias 8 horas por dia a transportar paletes, viu a sua qualidade de vida aumentar substancialmente. E até hoje, em quase 12 anos de SAP, esta foi uma das tarefas que me deu mais satisfação fazer, só pela alegria que lhe dei.

Os deuses deviam estar do meu lado porque, quando alguns dias depois fui enviado para um novo cliente, no próprio dia em que cheguei, o chefe desse projecto veio ter comigo e perguntou-me se sabia como é que se aumentava as letras de uma etiqueta, que andavam às voltas com aquilo e ninguém conseguia. Eu, com o ar mais natural e confiante do mundo disse-lhe que sim, que sabia, imprimi e dei-lhe as minhas notas que explicavam detalhadamente os vários passos necessários para fazê-lo, resolvendo-lhe o problema, ficando imediatamente com fama de especialista.

Moral da história: Dá (sempre) e (às vezes) receberás.

O Abapinho saúda-vos.


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