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Pacotes 2.0

O repositório do R/3 é uma coisa maravilhosa. Um vasto armazém de elementos de dados, estruturas, tabelas e muito mais, prontamente disponíveis a todos. Como programadores, é fácil e conveniente escolher estes objectos e puxa-los para os nossos programas à medida das necessidades sem que a preciosa linha de pensamento seja interrompida.
Mas nem tudo é sol e flores. Se não tiveres cuidado com os cogumelos que apanhas podes dar por ti com um envenenado entre mãos.

Imagina o cenário em que encontras o elemento de dados perfeito para um cliente. Contente, apressas-te a adiciona-lo à tua declaração de variáveis e não pensas mais no assunto. A única coisa que te escapou é que este pequeno elemento de dados pertence a uma aplicação de um dos teus colegas e, conceptualmente, nunca deveria ser referenciado na tua aplicação, porque são duas aplicações completamente independentes e sem qualquer relação. Mas agora partilham um laço envenenado: tornaram-se interdependentes.

O esparguete aplicacional é um cenário comum que assombra as equipas técnicas de SAP e, por vezes, evolui para situações de interdependência complicadas. Por exemplo:

  • Se o teu colega decide alterar o seu elemento de dados; a tua aplicação vai sofrer os impactos desta alteração;
  • Se precisares de instalar a tua aplicação noutro sistema terás de incluir este elemento de dados alienígena bem como a definição do pacote onde este se insere;
  • Se estiveres a trabalhar num ambiente de equipa vais ter de garantir que o teu colega já transportou todos os objectos que precisas antes de poder avançar com a tua solução em segurança.

Este tipo de problemas pode ser facilmente evitado através da utilização do SAP Package Concept que passa por um desenho de Pacotes cuidado e da utilização da ferramenta de Package Check em todos os teus desenvolvimentos.

O SAP Package Concept é ainda pouco utilizado. Talvez não saibas mas hoje em dia a natureza dos pacotes SAP vai muito além do mero repositório de objectos (antes chamavam-se de classe de desenvolvimento). Usando uma combinação de Structure Packages, Main Packages e Development Packages interconectados por Package Interfaces e Use Accesses, podes salvaguardar as tuas aplicações de usos e referências indesejadas, ao mesmo tempo que tornas explícitas as dependências entre pacotes.

Algumas dicas prácticas para começar:

  1. Sê independente. Tenta sempre ver a tua aplicação como uma componente de software isolada e encapsula-a em conformidade através de hierarquias de pacotes;
  2. Cuidado com as dependências. Prefere criar um novo objecto a usar um objecto de uma aplicação que em nada deve estar relacionada com a tua. Determina e supervisiona as tuas dependências indispensáveis através de use accesses a outras aplicações;
  3. Cria pontos de acesso. Através das interfaces de Pacotes, cria API’s para as tuas próprias aplicações. Garante que só cedes visibilidade pública a objectos estáveis e que acreditas poderem trazer valor a outros;
  4. Activa os Package Checks. Se não o fizeste ainda, vai em frente e faz. Os Package Checks estão integrados com o ATC e podem rapidamente dar-te uma visão sobre os teus problemas de dependência. Atenção que esta é uma definição global de sistema. Garante que entendes as consequências de o fazer e que todos os membros da equipa estão ocorrentes desta mudança para que não se assustem muito quando as mensagens de violação de pacotes começarem a aparecer;
  5. Explora. Cria uma hierarquia de pacotes de teste, adiciona alguns objectos e define algumas interfaces de pacote. Implementa um programa de teste e brinca com as opções de visibilidade objectos.

E agora umas referências douradas para te ajudarem a começar:

  • SAP Help Package Builder – Um guia detalhado para te ajudar a configurar um ambiente consciente de dependências entre pacotes;
  • ABAP Package Concept – Blog com uma visão detalhada sobre o conceito de pacotes directamente de um dos Gurus da SAP.

O Abapinho agradece a Miguel Jorge por ter escrito este artigo.

Agradece também a HatM pela foto.

E saúda-vos.

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